Quarta-Feira, 19 de setembro de 2018.

Mulher abandonada no Natal

  • A cidade totalmente iluminada de luzes multicoloridas que anunciava festa, o alarido nas ruas movimentadas, o trânsito nas avenidas onde o ronco dos motores se misturava a uma melodia suave que vinha das moradas essas ostentavam lautas ceias de iguarias incomuns nos dias outros do ano.

     

    Fugido às tradições ecológicas da época naquela noite não chovera e o vento que corria do litoral era seco e quente levantando ondas que enchia as areias da praia de uma densa orla de espumas tão alvas quanto a brancura da neve da terra de papai Noel e, contracenava com um céu lindo, uma lua minguante emoldurando o firmamento e um bilhão de estrelas de todas as dimensões que dava na terra a certeza de que vivenciávamos um momento mágico e todos os que buscavam aguardavam o milagre, o acontecimento que mudarias as suas vidas, eliminaria as divergências, aproximaria os distantes e colocaria na boca de cada ser do planeta as palavras amor e paz...

     

Ela, relembrando um passado nem tão distante onde protagonizou cenas da comedia humana e de cujo papel encenado ruborizava-lhe as faces ante o abandono. A casa vazia e a cama, cenário de murmúrios e orgasmos inimagináveis, mais que agora, jazia um travesseiro solitário e a sua mente itinerante percorria todas as dependências da casa e em todas nada encontrara a não ser o vazio, o mórbido silencio que também se abrigara em seu coração... Mais afinal, era Natal e ela mal arrumada, de pé ante a janela olhando para o céu com as mãos segurando firme o terço de orações sentiu que de seus olhos corria lágrimas de sofrimento e dor e ela daria a própria vida para voltar no tempo e jamais ter feito tudo o que fez ou talvez quem sabe nessa noite também houvesse paz em seu coração e até pudesse brindar com champagne uma convivência pacifica e sentir novamente aquela onda de calor no corpo que não passa com um banho de água fria mais num mergulho infinito na onda do prazer, do amor e da cronometrada quase felicidade .

 

Mais era Natal e a magia, o encantamento pairava no ar a uma distancia quase imperceptível mais próxima e pudesse um anjo do infinito tocar uma única vez a sua trombeta e a suavidade das ondas sonoras se fizesse ouvir e como num passe de mágica ele viesse em seu encontro, se lhe tirasse da solidão tomando-a pelas mãos e colasse um beijo nos lábios fazendo-a caminhar sobre as nuvens mesmo sabendo ser um sonho mais que expulsasse da sua vida o pesadelo de ser uma mulher abandonada...

 

Categoria artigos, articulista

Airton Gondim Feitosa

Jornalista

tributaryagf@yahoo.com.br




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