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Wellington Silva
Articulista e Acadêmico de História/Amapá

 

O velho circo jurídico brasileiro

Da Equipe de Articulistas

Às vezes sinto vergonha de ser brasileiro.
Pois é ! Dizem que somos um País pacífico e sem guerra, é bem verdade, sem nos darmos conta das velhas e silenciosas manobras de conveniência, praticadas por algumas figurinhas agrupadas, por sinal sempre apressadas nos bastidores do Congresso Nacional, espantosamente empenhadas em  bagunçar em nome de uma tal pós-modernidade a nossa sofrível vida de cidadão brasileiro vítima de bandidos, drogas, crime organizado, corrupção, internacionalização da Amazônia, etc.

De uns anos para cá delegacias de polícia e fóruns viraram livre mercado de advogados de moral duvidosa à serviço do crime organizado, da corrupção e de abastadas famílias viciadas em abusos legais de toda ordem. As esquinas, os morros e as praças do sul maravilha estão ocupadas pelo tráfico de drogas e de armas, sem que a Polícia tenha autoridade legal para eliminar comandantes e comandados.

Os avanços estratégicos para internacionalização da Amazônia ganham contornos geográficos preocupantes. Mesmo assim percebemos que ainda persiste na prática política nacional uma teimosia cega carregada de arroubos de falsa grandeza. É aquela estupidez explícita em querer figurar o Brasil como “top model” internacional da ecologia, do “modelito exemplar”, tudo às custas da miséria e da desgraça do povo amazônico, vítimas diretas de uma legislação ambiental nazista. É um preço muito caro para ser engolido e suportado por nós, residentes nessa rica e cobiçada região.

O caso Isabelle ganha comoção nacional assim como o da adolescente brutalmente torturada. O mais engraçado é que os suspeitos algozes de Isabelle estão soltos e a maníaca torturadora da jovem também. Vejo os dois casos atuais como exemplos clássicos da anarquia jurídica em que vivemos. Portanto, a culpa é do velho circo jurídico. É ele que possibilita ampla margem para a impunidade, conquistada pela defesa hábil de “doutores” , digo, mercenários do dinheiro fácil às custas da desgraça alheia. A polícia, de mãos atadas, está algemada por conta dessas aberrações jurídicas. A sociedade, revoltada, não se antena para o fato de que tais aberrações jurídicas tem forte apoio de grupelhos enraizados no Congresso Nacional.

O Brasil ainda é visto como o paraíso da impunidade. E essa impunidade, em todos os níveis, continua sendo politicamente alimentada por grupelhos políticos contrários a penas severas contra a corrupção, crimes, etc. O medo é da rede da justiça esculhambar de vez com seu suspeito eleitorado, indo o seu mandato de tabela ao ralo. Prisão perpétua ou julgamento de políticos e de autoridades em júri popular, com penalidades duras, e confisco total de bens para pagamento de atos de corrupção,  nem pensar.

Porque será que alguns políticos são contra as necessárias e urgentes mudanças que o Código Penal Brasileiro deve sofrer ?      

Quase diariamente vemos homens da Polícia Federal e dos Batalhões Ambientais prendendo pobres pescadores, caçadores e agricultores, todos enquadrados dentro de uma legislação ambiental eminentemente nazista. Uma legislação que vem submetendo o homem amazônico a mais completa vergonha e desgraça social. Evidente que os policiais federais e os soldados dos batalhões ambientais estão apenas cumprindo o seu dever, aplicando a lei,etc. Particularmente, eu teria vergonha de cometer tal ato contra pessoas, como se diz no velho adágio popular, “desvalidas”. E com que desenvoltura e ênfase algumas figurinhas da mídia divulgam o fato como se esses inocentes fossem o terror da natureza e do mundo.  Não percebem que eles querem apenas sobreviver para poder comprar o material escolar dos filhos, roupas e calçados.

Repetindo, a pergunta que não quer calar novamente é :
- De quem é a culpa de todo este estado de coisas ruins que estamos atualmente vivendo ?
Muitos responderão que é do governo.

Digo novamente que a culpa é do circo jurídico, construído por grupelhos compostos de péssimos políticos. São figurinhas interessadas em políticas de conveniência e de puro interesse pessoal, nada mais, todos disfarçados de defensores dos direitos humanos (leia-se para bandidos) e da natureza (leia-se serviçais da biopirataria internacional). Resta-nos separar o joio do trigo e observar quem realmente luta pela realização de políticas sociais de resultados, sempre na defesa prática dos pobres, dos pescadores, ribeirinhos e agricultores, e quem pratica toda essa política suja que somente empobrece, sufoca, exclui e arrota pura demagogia e hipocrisia na nossa cara.

Qual foi a vez que vimos um gringo ou um europeu ser preso por biopirataria na Amazônia, divulgado com empolgação na mídia ? Qual foi a vez que vimos a turma dos direitos humanos se preocupar com vítimas do crime e do terror promovido pelo tráfico de drogas, principalmente soldados e policiais civis ? São questões e razões que a própria razão desconhece.          

 



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