Jornal Evangélico
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Wellington Silva
Articulista e Acadêmico de História/Amapá

O drama sócio-ambiental de vermelhão

Vermelhão é amapaense, residente no Vale Verde, em Santana, com anos de experiência na atividade pesqueira, madeireira e de extração de palmito e açaí. Aprendeu o ofício com seus pais numa época em que trabalhar em família, juntamente com os irmãos, para garantir o sustento diário, não tirava  pedaço de criança, adolescente e jovem. As conhecidas “ bordoadas” de galho de goiabeira do velho pai, quando alguém saia da “ rédea” , sempre era a correção para o bom caminho.

Vermelhão é caboclo forte e valente, que não teme mar brabo, tempestade, onça braba ou qualquer “trampo brabo” , faça sol ou chuva. Mas, por mais incrível e paradoxal que possa parecer, Vermelhão anda triste e assustado, a bem da verdade desiludido, sem renda e desempregado, com medo de continuar exercendo os velhos ofícios, passados de geração a geração, na árvore geneológica de sua família. Medo do Ibama, do Batalhão Ambiental, de uma legislação ambiental perversa de clara exclusão social do cidadão amazônico. O “brezil” tá matando o Brasil ...

Vermelhão quer entender e não consegue, por mais que queira aceitar, do porque de tudo isso, isto é, a prevalência do exagerado preservacionismo ambiental em detrimento das  velhas e hereditárias necessidades básicas das comunidades amazônicas. Em época de cheia e de águas de março, jacarés se reproduzem como carapanãs nos rios e afluentes da Amazônia. Atacam crianças nas beiras dos rios, alguns até adormecidos em redes quase rente ao chão, devoram seus pezinhos, pernas, mãos ou braços, e nenhuma televisão mostra nada. Ficou revoltado ao ver velhos compadres presos por causa de caça, de umas poucas carnes de jacaré que seriam vendidas para comprar material escolar e roupas para as crianças.

E perguntou-me Vermelhão,com os olhos vermelhos :

  • Como vamos sobreviver, dar o que comer, educar e dar uma condição digna a nossos filhos, como meus velhos pais faziam, se já não consigo dinheiro e muito menos emprego em lugar algum ?

Fiquei olhando-o firme, por alguns momentos, tentando absorver o seu drama social ou sócio-ambiental, como queiram, para depois trabalhar uma boa ou consoladora resposta.

Resolvi traçar um rápido perfil histórico, assumindo o “mea culpa” por não ter participado de fóruns ambientais direcionados, mesmo que com cartas políticas marcadas de interferências externas e internas. Creio, piamente, sem hipocrisias, que a grande desumanidade em toda esta papagaiada ambientalista tem sido justamente  a completa e total falta de respeito com a necessidade vital de sobrevivência das comunidades amazônicas.

Se preservar ou conservar o meio ambiente amazônico é necessário, mais necessário ainda é prevenir da fome e da exclusão social nossas crianças e seus familiares.

Imperativo é que governos e Congresso Nacional façam uma revisão legal desta legislação perversa antes que o desespero de muitos se transforme em revolta de todos. O que estamos vivenciando na Amazônia é uma política ambientalista nazista capitaneada por cartéis de ONG's serviçais de interesses duvidosos e continuamente suspeitos.

Clássicos exemplos, em nossa região, são o Parque do Tumucumaque e o Parque do Cabo Orange. O primeiro é gerenciado pela ONG americana WWF. Ninguém entra lá, nenhum brasileiro, sem a autorização deles. E Pode Freud e seu ministro da Defesa  ?

Quer dizer, o senhor Fernando Henrique Cardoso engessa por decreto o nosso esperançoso Estado do Amapá, criando o tal Parque do Tumucumaque, e o dá de bandeja. Até hoje as comunidades residentes em sua área de entorno estão esperando as tais compensações O segundo, o Cabo  Orange, existe a 32 anos sim, e daí, já foi-se o bem-te-vi da esperança  de alguma compensação internacional ou nacional.

Será que temos de continuar conformados com a fome de nossos irmãos, com a biopirataria, a especulação e o comércio laboratorial de informações técnicas para empresas internacionais e multinacionais ?

Desafio a galera da WWF e do Greenpeace a colocarem faixas nas chaminés monstruosas das fábricas químicas e petroquímicas localizadas em Detroit, nos EUA, e em toda a Europa,como fizeram no Cristo Redentor.

É inadmissível que a comunidade amazônica seja responsabilizada pelo aquecimento global do planeta. É um olhar caolho que não podemos aceitar.

Se a Eco-92 foi a geração do marketing  rotulado “ Amazônia, Pulmão do Mundo” , no presente, podemos continuar a gritar e lutar como nossos antepassados lutavam e gritavam, tal qual Cabralzinho:

-  Amazônia, cobiça do mundo. Verás que um filho teu não foge à luta ... 



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