A responsabilidade da mulher diante de uma gravidez indesejada pode acarretar fatores negativos em sua vida social 






Para a sexóloga, Priscila Junqueira, esse cuidado pertence ao casal, e por isso é necessário que ambos façam a melhor escolha de contracepção juntos
 

Recentemente durante o programa Altas Horas, da rede Globo, o cantor e compositor Júnior Lima, levantou uma questão um tanto quanto polêmica sobre os anticoncepcionais femininos. Repleto de hormônios que, segundo várias pesquisas já realizadas pela comunidade médica, podem trazer diversos problemas para a saúde feminina.
 
Além dos aspectos físicos já estudados, pode ocasionar na perca da libido, no inchaço e em doenças, que podem ser acarretadas pelo uso contínuo e indevido de algumas pílulas, como trombose entre outras. Também há outros fatores agravantes, tanto na vida sexual quanto na vida pessoal da mulher, segundo a psicóloga e sexóloga Priscila Junqueira.
 
“Ao ficar focada somente em evitar uma possível gravidez, a mulher pode vir a perder o real significado do sexo para ela, acabando por generalizar a relação de uma forma não saudável, por carregar a responsabilidade de evitar a gravidez sozinha, além de também impedir que a mulher chegue ao orgasmo por inúmeros motivos possíveis”, afirma a especialista.
 
Uma grande parte das mulheres possui um pensamento machista que somente elas têm a responsabilidade de se prevenir de uma gravidez indesejada, seja tomando pílulas ou usando qualquer outro tipo de contracepção.
 
Para a sexóloga, esse tipo de pensamento pode ser muito prejudicial ao relacionamento, pois pode trazer conflitos, justamente por não haver respeito com relação a diversidade e individualidade de cada pessoa.
 
Essa responsabilidade exagerada e o medo em não engravidar, podem trazer vários problemas psicológicos como crises de ansiedade, inferioridade e auto vitimização, ao achar que aquilo que ocorre é de sua responsabilidade – não só ao evitar a gravidez. Além dos problemas sexuais e conjugais.
 
No entanto, existem estudos para criar uma espécie de “contraceptivo” masculino, que já está em fase de testes. Esse tal “anticoncepcional masculino” é uma espécie de vasectomia reversível injetável.
 
Para a especialista, a aprovação desse método seria um grande avanço, pois deixaria de colocar a responsabilidade de uma gravidez indesejada como atribuição da mulher.
“Ao ter outras opções, o homem passa a poder escolher junto da mulher o que é melhor para os dois como um casal”, reconhece Priscila.
 

* Priscila Junqueira é Mestre em Ciências - Faculdade de Medicina da USP; Especialista em Sexologia - Faculdade de Medicina da USP; Especialista em Coordenação Grupoanalítica – Sociedade de Psicoterapia Analítica de Grupo – SPAG-Campinas.
 Além disso, é professora universitária e atende em consultório particular. Em 2009 recebeu o prêmio de melhor pôster com o tema: Qualidade de sono e qualidade de vida, comparação entre mulheres portadora de HIV e não portadoras. Priscila também teve participação em diversos capítulos de livros consolidados e participação em Congresso, como o XV Congresso Brasileiro de Sexualidade Humana.
 Para saber mais, acesse: www.priscilajunqueira.com.br

 



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