‘Não escrevia quase nada’, diz jovem que mudou realidade ao participar de jornal escolar

Compartilhe:





Curiosidade e vontade de melhor expressar-se através da escrita. Esses foram os motivos que levaram a estudante Suziele Moraes a se inscrever no projeto de jornal escolar, intitulado “Esther em Foco”, desenvolvido na própria instituição onde ela estuda: Esther da Silva Virgolino. Em poucos meses, a experiência mudou a realidade da jovem estudante.

“Eu não escrevia quase nada. No começo, a professora sempre pedia para eu reescrever a redação. Tinha que revisar umas sete vezes um único texto. Hoje em dia, não, tudo mudou positivamente”, lembra Suziele.

A jovem tem 17 anos e cursa o 2º ano do ensino médio regular. Ao entrar no projeto, há quase um ano, ela contou com reforço em língua portuguesa e redação. Nas páginas do “Esther em Foco”, poemas, cobertura fotográfica e matérias levam a assinatura da jovem. Em 2019, ela decidiu dar um voo mais alto: se inscreveu em um concurso de redação. Para surpresa dela, ficou em segundo lugar.

“Escrever sobre educação fiscal, no concurso da Receita Estadual, e conquistar o segundo lugar foi surpreendente, e me deixou muito emocionada. Na cerimônia de premiação, passou um filme na minha cabeça: desde não saber se expressar até a vitória com minha redação. Escrever é algo que me encanta”, enfatizou a jovem.

Jornal Esther em Foco

A ideia de criar um jornal escolar na Escola Estadual Esther da Silva Virgolino, em Macapá, foi da professora Cleicivane Pinheiro, em 2013. Ela queria melhorar a qualidade de ensino por meio de práticas de leitura e produção textual. Logo, contou com reforço de outras duas professoras: Áurea Nunes e Jovelina Barros.

“A gente percebeu que esses jovens precisavam melhorar muito a escrita, então, idealizamos o jornal escolar para trabalharmos de forma mais lúdica, sem aquela pressão que eles sentem durante as aulas. Tem dado certo”, comemorou Cleicivane.

A reunião de pauta, momento em que se decidem as notícias para a edição semanal do jornal da escola, ocorre nas tardes de segunda-feira, no período oposto ao das aulas. Os estudantes levam de casa as sugestões de matérias. Após o processo de definição dos assuntos que sairão na próxima edição, os estudantes-repórteres fazem pesquisas e entrevistas, fotografam outros alunos, professores, pais, gestores e funcionários da escola. Depois, escrevem as notícias.

“Com tanto material bom produzido pelos estudantes, a hora de decidir o que vai para a edição de publicação é a parte mais difícil”, comentou a professora Áurea Nunes.

Os resultados, segundo as professoras, foram percebidos em várias etapas do processo: no aprendizado de trabalhar em equipe; na criação de textos; no uso do dicionário para tirar as dúvidas com a língua portuguesa; na habilidade oral, com o exercício da argumentação na defesa de pautas, e no despertar dos alunos para o exercício da cidadania e de valores humanos. Dessa forma, as notícias também serviram para a discussão de problemáticas correlatas e recorrentes ao ambiente escolar, como o bullying e a violência.

“Ver os estudantes tomando a frente na discussão de problemáticas do próprio ambiente escolar e ajudando na desmistificação de assuntos é motivo de muito orgulho para nós, professores”, destacou Cleicivane.

O jornal tem periodicidade semestral, por conta dos poucos recursos para a impressão. Para 2020, os estudantes pretendem lançar uma versão digital com publicação mais curta.

“Mesmo com poucas ferramentas, produzimos algo de qualidade. Nossa meta é ter em versão digital para distribuir online, pelas redes sociais também, alcançando mais pessoas”, reforçou o estudante Daniel Lobato.

 

Por: Wellington Costa /  Foto: Wellington Costa/Seed

 



Deixe seu Comentário

 

VOLTAR A PÁGINA PRINCIPAL VOLTAR A PÁGINA Notcia