Mosaico da Amazônia Oriental retoma encontros presenciais 

Encontro aconteceu em Macapá e foi um importante espaço de diálogo entre organizações da sociedade civil e órgãos governamentais para atualizações. A última reunião dos representantes do Mosaico da Amazônia Oriental havia sido em 2019. 

Foi com entusiasmo que os encontros do Mosaico da Amazônia Oriental foram retomados. A última vez que os representantes das organizações que compõem o Mosaico se reuniram presencialmente havia sido em 2019, antes da pandemia da Covid-19. 

 Mais de 50 pessoas participaram, na última terça-feira (14), em Macapá, do 1º Encontro do Mosaico da Amazônia Oriental. Foi um momento de diálogo e troca de atualizações de suas regiões e iniciativas. Fazem parte do Mosaico povos indígenas do Parque Indígena do Tumucumaque, Rio Paru D’Este, Wajãpi, agricultores familiares da Perimetral Norte, extrativistas, órgãos públicos, gestores de unidades de conservação e organizações da sociedade civil, como o Iepé. 

 “O Mosaico da Amazônia Oriental é um importante fórum de articulação e diálogo entre o governo e a sociedade civil. E a retomada dos encontros presenciais fortalece os laços em um momento em que precisamos reforçar a proteção das áreas protegidas da Amazônia, assim como o bem-estar e a qualidade de vida da população que vive e depende da floresta preservada”, disse Decio Yokota, coordenador do Programa Gestão da Informação do Iepé - Instituto de Pesquisa e Formação Indígena. 

 Em sua fala durante o encontro, Decio passou dados atualizados sobre os estudos de contaminação de peixes por mercúrio advindo de garimpos ilegais. O Iepé tem apoiado e divulgado pesquisas sobre o mercúrio nos últimos anos. 

 O Cacique Edmilson dos Santos Oliveira lembrou a todos das muitas ameaças aos povos indígenas do Amapá, como a retomada do projeto de exploração de petróleo na costa do estado e as mudanças climáticas, que já impactam em seus modos de vida. Edmilson é presidente do Conselho de Caciques dos Povos Indígenas do Oiapoque, é do povo Karipuna e vive na aldeia Curipi. 

 “Esse ano, as chuvas começaram mais cedo. E as mudanças climáticas estão sendo bem preocupantes e estão afetando nossas roças. Não estamos entendendo bem quando é verão ou inverno”, disse Edmilson. 

 “Nesse tempo de pandemia, as Terras Indígenas ficaram muito vulneráveis. Sentimos falta da Funai. Pedimos que eles apoiem os povos indígenas. E estamos preocupados com a situação do garimpo, da contaminação dos peixes pelo mercúrio”, completou. 

  Os representantes dos wajãpi também destacaram as invasões de na Terra Indígena Waiãpi tanto de garimpeiros quanto de pescadores e madeireiros ilegais. Akitu Wajãpi, Conselheiro do Mosaico pela Apina, relembrou que, além do garimpo, pescadores e madeireiros ilegais estão entrando e explorando recursos da Terra Indígena Wajãpi. 

 Também estavam no encontro Arlete Pantoja, presidente da Associação de Mulheres Extrativistas Sementes do Araguari, representantes do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) e Secretaria de Meio Ambiente do Amapá (SEMA), entre outros parceiros. 

 As áreas protegidas que compõe o Mosaico da Amazônia Oriental são: Parque Nacional Montanhas do Tumucumaque, Floresta Nacional do Amapá, Reserva de Desenvolvimento Sustentável do Rio Iratapuru, Floresta Estadual do Amapá, Parque Natural Municipal do Cancão, Reserva Extrativista Beija-Flor Brilho de Fogo, Terra Indígena Wajãpi, Terra Indígena Parque do Tumucumaque e Terra Indígena Rio Paru D’Este. 

 

Por Thaís Herrero

Foto Maria Silveira

Participantes do Encontro do Mosaico da Amazônia Oriental


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