Pai Almeida Canuto, da Casa Afrorreligiosa Guerreiro de Alexandria, fala da importância da ancestralidade

Combate à intolerância religiosa: Improir tem núcleo para receber denúncias de racismo

Núcleo de Combate à Discriminação Racial é localizado na Avenida Feliciano Coelho, nº 98, no bairro do Trem

Sábado (21) é o Dia Nacional de Combate à Intolerância Religiosa, data instituída pela Lei 11.635 de 2007, condenando atos que discriminam, menosprezam e invalidam outras pessoas em razão da crença, culto e religiosidade. Para não deixar esses crimes passarem, em Macapá, o Instituto Municipal de Políticas de Promoção da Igualdade Racial (Improir) criou o Núcleo de Combate à Discriminação Racial.

Em 2022, o número de denúncias por intolerância religiosa cresceu 50% comparado a 2021, segundo aponta o Improir. Por isso a importância do Núcleo, que recebe denúncias de racismo, acolhe a vítima e a encaminha aos órgãos competentes: Ministério Público ou delegacia especializada.

A diretora-presidente do Improir, Maria Carolina, explica que o Núcleo nasceu em março de 2022, como política pública. Ela ressalta:

“Existem vários casos de racismo e de injúria racial em Macapá, porém, as pessoas não procuram seus direitos por uma série de fatores. Criamos o Núcleo de Combate à Discriminação Racial para ser outro polo de denúncias. A liberdade religiosa é um direito constitucional e deve ser eficiente, exercida por todo e qualquer cidadão”, pontua.

Diretora de Políticas de Promoção da Igualdade Racial, Maria Carolina, ressalta a importância de denunciar crimes de racismo e intolerância religiosa I Foto: Secom/PMM

A Prefeitura de Macapá também oferece acompanhamento psicológico, atendimento presencial e por telefone, para coibir esses tipos de casos e avançar na luta pela equidade.

Representante de religião de matriz africana, Pai Almeida lembra casos de violência ocorridos em terreiros e casas de santo de Macapá, e destaca que falar de intolerância religiosa é pedir respeito ao Sagrado, às pessoas, às matas, floras e faunas.

“A nossa reza é cantada. A nossa fé são nossos cordões, são valores ecoados do tempo das senzalas através dos nossos atabaques que aprendemos de família, nossos valores, amor pela vida. Axé!”, destacou o pai de santo.

Pai Almeida Canuto, da Casa Afrorreligiosa Guerreiro de Alexandria, fala da importância da ancestralidade

Para o padre Rafael Donneschi, pároco da Igreja São José na Diocese de Macapá, a ignorância faz nascer a intolerância, e ao contrário, a tolerância é respeito e conhecimento, visto que a religião é algo de mais profundo que a pessoa vive e acredita.

 “Todos somos filhos de Deus. Deus é um só. Cada pessoa tem o seu jeito de chegar a Deus, de manifestar exteriormente a própria fé, porque cada um tem a sua história”, finalizou o sacerdote.

No prédio do Improir, o pároco da Pároquia São José, pe. Rafael Donneschi explica sobre respeito e tolerância religiosa na sociedade

O Núcleo de Combate à Discriminação Racial é localizado na Secretaria Municipal de Direitos Humanos (SMDH), na Avenida Feliciano Coelho, Nº 98, no bairro do Trem. O espaço de denúncias fica aberto das 8h às 14h, de segunda a sexta-feira; ou pelo WhatsApp (96) 9 9970-2089.

Por Mônica Nascos - Instituto Municipal de Políticas de Promoção da Igualdade Racial (IMPROIR)


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