Encontro de coletivos estimula o empoderamento de mulheres agroextrativistas

Realizado em dezembro de 2022, no Amapá, o evento promoveu o diálogo de diversas lideranças femininas que desenvolvem trabalhos sustentáveis em seus territórios.

A palavra é empoderamento. Foi com esse mote que mulheres de diversos coletivos se reuniram no 1º encontro de coletivos de mulheres agroextrativistas do Amapá. Apesar de focar em lideranças do território amapaense, mulheres do Pará também participaram e compartilharam experiências acerca do desenvolvimento de atividades sustentáveis nas quais a figura feminina assume protagonismo.

Com o objetivo de promover a troca de experiências e de gerar uma articulação em torno de uma agenda comum para a inclusão socioprodutiva, o evento foi pensado como uma primeira etapa de mobilização e de caracterização de iniciativas para a criação de uma articulação em  rede para mulheres visando o fortalecimento desses grupos nas dimensões socioeconômica e ambiental.

No total, 35 pessoas de 21 organizações dividiram suas experiências, entre elas, a agroextrativista, Cristiana Braga, 37 anos, secretária da Associação da Comunidade São Benedito do Inumbi, que integra a Associação de Mulheres do Campo e da Cidade (Emanuela), em Porto de Moz, no Pará.

Cristiana trabalha com o manejo florestal sustentável da madeira e além do cargo de secretária da Associação da Comunidade São Benedito do Inumbi, onde mora, ela também é manejadora. “Eu faço a medição das árvores que serão colhidas dentro do projeto de manejo sustentável”, explica.

Mãe de dois filhos, Cristiana diz que o maior objetivo da associação é empoderar as mulheres. “Além do manejo começamos a trabalhar com cipó, fazemos mesas e cadeiras do material e estamos no processo de qualificação para que outras mulheres também aprendam o ofício”, explica.

“Ter contato com outros coletivos nos enche de reflexões, um dos pontos que percebemos é que temos dificuldade de divulgar os nossos produtos, mas agora pensamos em fazer eles chegarem a mais pessoas, por meio da nossa cooperativa”, afirma.

Convidada a participar do evento no Amapá, Cristiana Braga disse ainda que é muito bom poder dividir experiências do dia a dia com outras mulheres. “Fiquei encantada com as mulheres, desde as que trabalham com argila até as que têm uma cozinha própria. Gostei tanto da Cozinha Coletiva do Beira Amazonas, que estamos pensando em viabilizar uma em Porto de Moz”, diz ela.

Para Gerciane Borges, 32 anos, coordenadora da Cozinha Coletiva do Beira Amazonas e moradora da comunidade São Tomé do Macacoari, no Amapá, todas as oficinas, reuniões, rodas de conversa promovem grandes aprendizados. “É muito bom ver mulheres como presidentes de associação, coordenadoras, secretárias, todas compartilhando dificuldades e também acertos. Foi bom também ver o depoimento de uma companheira que tinha desistido, mas que retornou para a associação dela. Isso nos mostra que todas temos dificuldades, mas que juntas é possível superá-las”, diz.

Gerciane disse que além da troca de experiências, uma palestra chamou muito a sua atenção. “Eu ouvi que lugar de mulher não é só dentro de casa, que a gente precisa se libertar e ter cuidado com a gente. Significou muito pra mim”, disse.

A agroextrativista também dá destaque para as mulheres que trabalham com a extração do óleo de pracaxi, na comunidade Comunidade do Limão do Curuá, no arquipélago do Bailique, no Amapá. “São mulheres que estão muito à frente no trabalho. Elas, inclusive, já vendem o óleo de pracaxi para outros estados. A maneira que elas trabalham é muito bonita de ver. Inspiradora. Elas pegam o que a natureza dá para poder tirar o sustento delas”, afirma.

Sobre os primeiros passos da rede, Gerciane afirma que no que depender dela, a rede já está formada. “Eu mesma já fiz amizade depois desse encontro e acho que todos só temos a ganhar ao fortalecer essas e outras mulheres da região”.

Waldiléia Rendeiro, Analista Socioambiental do IEB e coordenadora de ações de gênero e sustentabilidade  do Programa Territorialidades, Florestas e Comunidades do Instituto Internacional de Educação do Brasil (IEB) explica que a construção de redes tem sido uma estratégia interessante para dar maior visibilidade ao trabalho dos grupos de mulheres, fortalecer a capacidade e produção  desses coletivos A partir dessa primeira edição outras iniciativas serão desenvolvidas “Ficamos satisfeitos com o resultado dessa primeira articulação, com base nesses resultados implantaremos as próximas etapas a fim de fortalecer as iniciativas dessas mulheres”.

Autor: Catarina Barbosa | IEB
 


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