Covid-19: vacinação chega para quilombolas da microrregião de Macapá

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Quilombolas da microrregião de Macapá estão sendo imunizados contra o novo coronavírus. A região, composta pelos municípios de Macapá, Santana, Itaubal e Porto Grande, concentra quase sete mil quilombolas, segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Entretanto, os dados oficiais do IBGE apresentam discrepância em relação às informações apresentadas pelas secretarias municipais de saúde.

Em Porto Grande, por exemplo, a coordenadora municipal de imunização, Elessandra Lazamé, disse que o município não tem quilombolas. “Segundo a estimativa populacional de 2010, o município tem 42 pessoas quilombolas. Porém, desconheço que tenham comunidade quilombola no município. Estamos buscando informações para ter certeza de que realmente não existe comunidade quilombolas”, afirmou.

Em Macapá, o IBGE afirma que seis mil quilombolas vivem no município. No entanto, segundo a secretária municipal de saúde, Karlene Lamberg, esse número é bem maior. “Temos uma população quilombola com cerca de 65 mil pessoas na faixa etária de um a 95 anos. Em nosso município, temos cinco áreas tituladas, sendo 35 comunidades quilombolas e 215 comunidades de identificação conforme a convenção da OIT 169”, explicou.

A estimativa das pastas é que pelo menos 67 mil quilombolas moram região. De acordo com o Ministério da Saúde, até o fechamento desta reportagem, 5.812 pessoas receberam a primeira dose da vacina contra a Covid-19 e 498 tomaram a segunda. 

Proteja-se

A vacinação contra a Covid-19 chegou como um raio de esperança para a professora Bruna Picanço Neves, de 29 anos, moradora da comunidade quilombola de Conceição do Macacoari, em Macapá. Bruna conheceu de perto a dor de perder familiares e amigos para a doença. Ela conta que agora sente-se aliviada por ter dado o primeiro passo para a imunização. “Todo mundo da minha família pegou o vírus. E tivemos uma perda de um irmão e primos de dentro da nossa comunidade. A gente sabe que o acesso à saúde pública no nosso estado não é bom. É difícil, então, ficamos muito felizes. Já tomamos a primeira dose e, agora, final de junho, a gente toma a segunda. Completando o ciclo de imunização”, disse.

Os povos e comunidades quilombolas foram incluídos como grupo prioritário no Plano Nacional de Imunização. Francieli Fantinato, coordenadora do Programa Nacional de Imunizações do Ministério da Saúde, explica que essa população foi incluída como prioridades, pois vivem em situação de vulnerabilidade social. “As comunidades quilombolas são populações que vivem em situação de vulnerabilidade social. Elas têm um modo de vida coletivo, os territórios habitacionais podem ser de difícil acesso e muitas vezes existe a necessidade de percorrer longas distâncias para acessar os cuidados de saúde. Com isso, essa população se torna mais vulnerável à doença, podendo evoluir para complicações e óbito”, afirmou. 

A vacina é uma das principais formas de combater o novo coronavírus. Ainda segundo a coordenadora todas as vacinas utilizadas pelo Sistema Único de Saúde (SUS) são seguras. Ela ressalta que é comum os vacinados apresentarem eventos adversos após a vacinação. “Na maioria das pessoas esses eventos são leves. Os eventos mais comuns observados, em relação à vacina contra a Covid-19, são dor de cabeça, dor no local da aplicação, febre, náuseas, dores no corpo, tosse e até mesmo diarréia. Em caso de eventos adversos pós vacinação orienta-se que os indivíduos procurem a unidade de saúde para serem acompanhados pelo serviço.”

O Brasil registrou 279 mortes em decorrência da Covid-19 entre quilombolas, de acordo com o último boletim da Coordenação Nacional de Articulação de Quilombos, a CONAQ. No Amapá, foram contabilizados 53 óbitos, segundo a Secretaria Municipal de Saúde de Macapá. Para líder quilombola Janicelma Souza, a vacina representa esperança para dias melhores. Ela faz o apelo para que toda a população quilombola do Amapá se vacine. “A imunização de todos com certeza vai evitar danos maiores, evitar mais perdas. Nós já perdemos muitas pessoas pra este vírus, nós precisamos dar um basta e o nosso único recurso hoje é a vacina. Então, não tenha medo. Tome a sua vacina, se proteja, proteja a sua família, proteja seus amigos. Quando você toma a vacina você passa confiança pra outras pessoas que estão inseguras. Você está ajudando a salvar vidas!”, pediu. 

Após a vacinação, continue seguindo os protocolos de segurança: use de máscara de pano, lave as mãos com frequência com água e sabão ou álcool 70%; mantenha os ambientes limpos e ventiladores e evite aglomerações. Se você sentir febre, cansaço, dor de cabeça ou perda de olfato e paladar procure atendimento médico. A recomendação do Ministério da Saúde é que a procura por ajuda médica deve ser feita imediatamente ao apresentar os sintomas, mesmo que de forma leve.

Vacinação no Amapá

De acordo com informações do painel coronavírus do governo do Amapá, quase 74% da população quilombola do estado recebeu a primeira dose da vacina e 7,04% receberam a dose reforço do imunizante. Fique atento ao calendário de imunização do seu município. Proteja-se. Juntos podemos salvar vidas! Para saber mais sobre a campanha de vacinação em todo o país, acesse gov.br/saude.

Serviço

Quilombolas que vivem em comunidades quilombolas, que ainda não tomaram a vacina, devem procurar a unidade básica de saúde do seu município. Para mais informações, basta acessar os canais online disponibilizados pelo Sistema Único de Saúde (SUS). Acesse o portal gov.br/saude ou baixe o aplicativo Coronavírus – SUS. Pelo site ou app, é possível falar com um profissional de saúde e tirar todas as dúvidas sobre a pandemia. 

Foto: Governo de São Paulo

Fonte: Brasil 61

 



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