Brasileiro gosta de fila ou de furar-fila?


Os brasileiros gostam de furar-fila? É muitos gostam, principalmente aqueles que se acham melhor do que os enfileirados, sua conta bancária, sua posição social ou seu cargo lhes dá esse direito, de furar a fila. Essas pessoas são as elites e elas tem uma tradição em usurpar o lugar dos outros mais humildes e ainda o fazem com arrogância e ‘pisoteam’ os que estavam na vez e festejam nas redes sociais           

É que a gente enfrenta fila para tudo por aqui. Tem até fila para entrar na fila e é um problema que está em todo lugar. Hoje temos as filas virtuais, onde é agendado sua hora  e dia. Tem sua vez estabelecida em regulamentos, legislação e nas regras da vacinação nacional. E tem fila no supermercado, no banco, na loteria e para marcar consulta, exames, e para se vacinar. Hoje temos as prioridades estabelecidas em estatutos do Idoso, do deficiente, dos portadores de doenças mórbidas, enfim..

Sobram filas, mas não faltam soluções para os dribladores  e elas não são as melhores e nem as mais legais, muitas desrespeitam e humilham o cidadão que tem seu direito usurpado E ai que está o problema os furas-fila.

Ninguém gosta de esperar. Furar fila é uma das coisas mais inconvenientes que se pode fazer, e o pior é quando esse ato acontece em um momento onde a vida do outro está dependendo da vez na fila e o imunizante é pouco e pode não chegar para quem tem direito assegurado: PRIORIDADE PARA OS GRUPOS DE RISCO

Esse costume de furar-fila se concentra nas pessoas que não deveriam fazê-lo, a ELITE, o pobre, também faz, mas não como as elites que continuam seguindo a tradição histórica ‘de levar vantagem em tudo’. os fura-filas da elite são reprodução de uma era que ainda não acabou: a dos “coronéis de barranco”.

Eternizados na literatura como os mandatários do ciclo da borracha, os coronéis ganham roupagem contemporânea ao “beneficiar quem os beneficia”. A prática “clientelista” também foi citada pelo diretor do Instituto do Butantan, Dimas Tadeu Covas, para descrever as denúncias de desvios das vacinas.  “Se não forem tomadas medidas de controle efetivo, a vacina será usada como moeda de troca”, apontou. “A prática dos municípios muitas vezes são práticas clientelistas”.

Esse ato grave e criminoso feitos por empresários, políticos e servidores que desrespeitam prioridade da vacinação contra a covid-19 em 12 estados e no Distrito Federal. Em meio à escassez de vacina. O único imunizante disponível no Brasil, até na última sexta-feira (22), deveriam ser aplicadas apenas entre os trabalhadores da saúde que atuam na linha de frente contra o novo coronavírus. Assim como entre idosos e pessoas com deficiência institucionalizadas e indígenas aldeados, conforme definido pelo Plano Nacional de Imunizações do governo de Jair Bolsonaro.

Mas, em algumas cidades, os critérios não são seguidos e a fila de vacinação é “furada” por pessoas que não estão no grupo prioritário. Uma conduta irregular, segundo o MPF, que pode levar à apuração do órgão por improbidade administrativa e criminal.

Além das gêmeas de Manaus, que foram nomeadas em um diua e no outro receberam o imunizantes e festejaram nas redes sociais, desrespeitos aos profissionais de saúde que estavam há dez meses atuando e morrendo na frente de combate a Coronavírus. Outro, é o caso, por exemplo, do prefeito de Candiba, na Bahia, Reginaldo Martins Prado (PSD). No município de pouco mais de 14 mil habitantes, Prado recebeu a primeira das 100 doses de vacina entregues. Apesar de ter 60 anos, o prefeito não se enquadra nos critérios da primeira fase. Mas foi imunizado, afirma a administração, por “um ato de demonstração de segurança, legitimidade e eficácia da vacina, como forma de incentivo para a população, que está desacreditada”.

É preciso respeitar a ‘fila’ das prioridades e punir severamente quem utiliza-se dessa pratica criminosa e coloca o ser humano na fila da morte sem titubear. É o antes ele do que eu.  


REINALDO COELHO

REINALDO COELHO

JORNALISTA, EDITOR E PROFESSOR



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