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Outubro Rosa: Psiquiatra do CEUB aponta impactos psicológicos do câncer de mama

Outubro Rosa: Psiquiatra do CEUB aponta impactos psicológicos do câncer de mama

Consequências do diagnóstico na saúde mental demandam abordagens terapêuticas para obter resiliência durante o tratamento


O diagnóstico de câncer de mama afeta profundamente a vida de pacientes física e emocionalmente. A ansiedade, a depressão, a perda da autoestima, o medo e a incerteza são alguns dos impactos psicológicos comuns que a maioria das mulheres enfrenta após receber a notícia da doença. Lucas Benevides, psiquiatra e professor de Medicina do Centro Universitário de Brasília (CEUB), aponta que, para o êxito do tratamento, os desafios emocionais devem ser enfrentados com empatia, seriedade e ajuda profissional.

De acordo com o especialista, de 20% a 25% das pacientes experimentam sintomas significativos de depressão durante o tratamento da neoplasia. Em estudo publicado no British Medical Journal, até 45% das mulheres relataram algum grau de depressão ou ansiedade dentro de um ano após o diagnóstico. “Este número varia com base em vários fatores, incluindo o estágio do câncer, o tratamento e o apoio social disponível para a paciente. A depressão pode afetar adversamente a qualidade de vida, a adesão e os resultados do tratamento, sendo fundamental o seu reconhecimento e manejo adequado em pacientes com câncer de mama.”

Como o estigma social e os mitos relacionados ao câncer podem levar ao isolamento e resistência em buscar apoio, o psiquiatra recomenda total vigilância, tanto da paciente, quanto das famílias em combater informações incorretas e oferecer apoio emocional. Para lidar com o estresse e a ansiedade associados ao tratamento, o docente do CEUB recomenda terapias baseadas em evidências, como a terapia cognitivo-comportamental (TCC) e a terapia de aceitação e compromisso (ACT). Sobretudo nos casos de abandono do cônjuge durante o tratamento do câncer de mama, para ajudar as pacientes a lidar com a perda, o luto, a reconstrução da autoestima e resiliência. “O apoio de terapias em grupos de pacientes e aconselhamentos desempenham um papel fundamental”, recomenda.

De acordo com o professor, o suporte emocional familiar adequado pode melhorar significativamente a qualidade de vida, a adesão ao tratamento e o prognóstico das pacientes. Ele afirma que o atendimento psicológico pós-cirurgia resultam em menos sintomas depressivos e melhor qualidade de vida, benefícios se estendem por anos após a intervenção. “É fundamental amigos e familiares estarem atentos a sinais de alerta, como mudanças de humor, isolamento social, distúrbios de sono e apetite, e expressões de desesperança. Eles podem indicar problemas de saúde mental e requerem apoio.”

 

Outubro Rosa e conscientização

Tanto no Brasil quanto no exterior, o Outubro Rosa é dedicado a disseminar informações e criar consciência sobre o câncer de mama. O objetivo principal é contribuir para a redução da incidência da doença e da sua taxa de mortalidade. No Brasil, o câncer de mama também acomete homens, embora seja mais raro, representando menos de 1% do total de casos da doença. Segundo o Instituto Nacional de Câncer (INCA), o câncer de mama é o segundo tipo de câncer mais comum entre as mulheres no Brasil e no mundo. 

As estimativas do INCA para o biênio 2020-2022 apontaram que o Brasil teria cerca de 66.280 novos casos de câncer de mama por ano, o que representa uma taxa de incidência de 43,74 casos por 100 mil mulheres - podendo variar de acordo com a região, sendo mais alta nas regiões Sul e Sudeste do Brasil. Lucas Benevides valoriza o impacto positivo da conscientização promovida pela campanha Outubro Rosa na saúde mental das pacientes com câncer de mama. “A conscientização pode levar a um maior apoio comunitário, reduzindo o estigma e promovendo a empatia”, completa.

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