Crédito da imagem: reprodução @sumeyina

Modelo Sumé Yina é vítima de agressão motivada por transfobia

Com consolidada carreira na moda nacional, a modelo foi agredida durante trajeto em um carro de aplicativo


A modelo Sumé Yina, de 24 anos, é mais uma vítima da alarmante realidade de violência à qual a população transgênero é submetida no Brasil.

A jovem nascida no Rio de Janeiro foi agredida durante trajeto realizado em um carro de aplicativo, na última semana, em São Paulo.

Leia o relato de Sumé na íntegra:

(também disponível em: https://www.instagram.com/p/ChGCJ1JJKJD/)

Por dias venho buscando entender se devia compartilhar o que aconteceu comigo e agora que consigo mover de novo meus dedos escrevo sobre a violência brutal que eu sofri.

Me dói a carne dizer que fui mais uma vítima de transfobia, fui espancada, tive meus ossos quebrados e fui colocada no maior lugar de vulnerabilidade em que já vivi.

Escrevo nesse momento pra lembrar as minhas irmãs o quanto expostas estamos - mesmo que em nenhum momento nos esqueçamos disso - e à cisgeneridade o quanto vulnerável ainda estamos perante a vocês.

Fui agredida por um motorista da @voude99 após um abuso sexual, mais um dos inúmeros que já sofri, e espancada.

Vi meu corpo jorrar sangue por todos os lados, me senti sedada, imóvel a tamanha a violência, no fim não sentia meus braços que já estavam inchados e quebrados por eu defender como eu pude a minha vida.

Sofri transfobia no hospital assim como em t-o-d-o-s os setores em que vivencio, pois essa é a realidade das pessoas trans nesse mundo, da arte à moda, as pessoas cisgêneras não se esforçam em serem respeitáveis e atentas conosco.

Nesses primeiros dias pós acontecido eu só conseguia dormir, sem vontade de viver, sentimento em que já lutamos contra em muitos momentos da vida, pois só nos meus sonhos eu me reconfortava, já que quando eu acordava só me vinha essa situação de dor em mente inúmeras vezes.

Fico grata e feliz de ter amigas travestis que estão cuidando de mim e me reconfortando nesse momento, pois no fim temos a sensação que somos unicamente compreendidas e respeitadas por outros corpos trans.

Compartilho meu corpo agredido porque sei que por mais que eu acredite na ressignificação de nossas imagens, o que eu luto pra reconstruir, ainda sofremos os mesmos ataques, ainda toda semana uma travesti é espancada até a morte no Brasil.

Eu ainda acredito em nossa luta e em nossas conquistas, que estejamos atentas sempre que possível.”, finalizou em relato compartilhado nas redes sociais.

Atuante como modelo há um ano, Sumé (@sumeyina) é uma das apostas da JOY Management - mesma agência de nomes prestigiados como a supermodelo Lais Ribeiro.

Trazendo representatividade indígena e trans para a moda, Sumé coleciona no currículo editoriais em publicações renomadas, como Harper's Bazaar e Vogue Portugal, desfile na São Paulo Fashion Week, além de campanha de beleza para marcas como Hero Beauty.

Graduanda em Cinema e Audiovisual, Sumé também explora a veia artística atuando como cineasta e artista visual, com trabalhos expostos em galerias nacionais e internacionais.

“Busco a incorporação da diversidade na moda e na arte”, já afirmou em outras ocasiões.

O episódio de violência relembra tristes dados: o Brasil continua sendo o país que mais mata pessoas trans em todo o mundo, há 13 anos no topo da lista, de acordo com a ONG internacional Transgender Europe - TGEU, que monitora mais de 70 países. Segundo levantamento da mesma organização, a cada 10 assassinatos de pessoas trans no mundo, quatro ocorreram no Brasil.

Em 2020, 175 assassinatos de pessoas transexuais foram computados no país - é, em média, uma morte a cada dois dias motivada por discriminação pela identidade de gênero, segundo a ANTRA - Associação Nacional de Travestis e Transexuais do Brasil - que reforça que, na prática, há uma subnotificação de casos. Ou seja: a realidade é ainda pior.




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